Simulado OAB: por que refazer teoria não sobe nota
Reler resumo dá sensação de estudo e não move o placar. Como usar o simulado de diagnóstico e tratar cada tipo de erro do jeito certo.
Por Equipe POAB · revisado por Geraldo
Você fecha o simulado com 44 acertos. Abre o resumo de Civil, relê o capítulo de contratos, assiste a duas aulas, grifa. Uma semana depois, novo simulado: 45. O placar não mudou porque o tratamento não tinha relação com a doença.
Revisão passiva é o hábito mais confortável da preparação. Ler dá sensação de avanço, e a sensação é honesta: você entendeu mesmo. Só que a prova não pede entendimento. Ela pede decisão entre quatro alternativas parecidas, em menos de quatro minutos, sob pressão.
O simulado só vale se doer
Um simulado com consulta mede a sua biblioteca. Um simulado pausado no meio mede a sua paciência. Para servir de diagnóstico, ele precisa de quatro condições que não são negociáveis:
- cronômetro rodando do início ao fim, sem pausa;
- nenhuma consulta, nem "só para confirmar";
- as questões na ordem em que vieram, incluindo as matérias que você odeia;
- correção só no final, nunca questão a questão.
Corrigir no meio contamina o resultado. Você acerta a próxima porque acabou de ver o gabarito da anterior, e o número que sai no fim não é o seu.
Caixa 1: a regra não estava lá
Sintoma: você leu as quatro alternativas e nada acendeu. Não houve dúvida, porque não havia matéria para duvidar.
Exemplo prático. A questão pergunta por quantos dias o advogado que renuncia ao mandato continua representando o cliente. Se você nunca leu o art. 5º, §3º, do Estatuto, os dez dias não vão aparecer por raciocínio. Ou está na memória, ou não está.
Tratamento: leia o dispositivo, o dispositivo mesmo, não o capítulo inteiro. Depois faça de cinco a dez questões daquele tema específico no mesmo dia. Anote no caderno de erros a regra em uma linha, com o número do artigo. Se a anotação passa de três linhas, você está copiando resumo de novo.
Esta é a única caixa que autoriza reabrir teoria, e ainda assim em dose de artigo.
Caixa 2: a regra estava lá e a leitura falhou
Sintoma: você bate na correção e sente raiva. Sabia. Sabia com folga.
Quase sempre o culpado é o comando do enunciado. A banca pede a alternativa incorreta e você marca a primeira correta que encontra. Ou o enunciado diz "salvo", "exceto", "não se aplica", e a sua leitura passou por cima. Outra variação: o caso concreto trocou uma peça do problema, um prazo, uma qualidade da parte, e você respondeu a questão que imaginou, não a que estava escrita.
Tratamento nenhum tem a ver com conteúdo. É protocolo: circule o comando antes de olhar as alternativas, e leia as quatro antes de marcar qualquer coisa, mesmo quando a A parecer óbvia.
Meça isso. Conte quantos erros de caixa 2 aparecem em cada bateria de 20 questões. Cair de quatro para um significa três questões a mais na prova sem ter estudado uma linha nova.
Caixa 3: sobrou meia regra
Sintoma: você eliminou duas alternativas rápido, travou entre as outras duas e escolheu no chute honesto. Acertar ou errar ali é sorte, e sorte não é plano.
Isso é conhecimento parcial, e conhecimento parcial não se resolve relendo o capítulo que você já leu. O que falta é o detalhe que separa uma alternativa da outra.
Tratamento: escreva, com as suas palavras, qual é a diferença exata entre as duas que sobraram. Uma frase. Se você não consegue escrever a frase, achou o buraco. Depois faça de dez a quinze questões do mesmo tema, porque é a repetição que fixa o detalhe discriminante.
O caderno de erros que não vira burocracia
Uma linha por erro, três campos: matéria, caixa, regra em uma frase. Nada além disso.
Se registrar os erros de uma bateria de 20 questões leva mais de 40 minutos, você virou escriturário do próprio estudo. O caderno existe para ser relido em cinco minutos antes da próxima bateria, não para ser bonito.
Marque as questões erradas para refazer sete dias depois, sem olhar o comentário antes. Errar a mesma questão duas vezes é informação valiosa: o tratamento anterior não pegou.
O número que decide
Pare de olhar o total. Olhe o acerto por matéria.
Quem faz 60% no geral com 4 acertos em 8 de Ética está pior do que quem faz 55% com 7 em 8, porque Ética reaparece com o mesmo peso na próxima prova, e o que faltou é reproduzível. O total esconde exatamente a informação que você foi buscar.
Se você ainda não montou a rotina das noites que restam, o plano de reta final para a 1ª fase do 47º tem o calendário e a divisão por matéria. Este texto é o motor de correção que roda dentro dele.
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