Tempo de prova na OAB: 5 horas e 80 questões
300 minutos divididos por 80 questões dão 3min45s brutos. Os checkpoints do relógio, o critério de pular e como funciona a segunda passada.
Por Equipe POAB · revisado por Geraldo
Cinco horas parecem muito tempo até a questão 30. A partir dali o relógio muda de lado, e quem não tinha plano começa a decidir no susto. A gestão de tempo é a parte da prova que dá para treinar sem estudar nenhuma matéria nova.
O número bruto
Cinco horas são 300 minutos. Divididos por 80 questões, dão 3 minutos e 45 segundos cada.
Esse é o teto, não a meta. Dentro dele cabe tudo: ler o enunciado, ler as quatro alternativas, decidir, marcar no caderno e transferir para a folha de respostas. Quem trata 3min45s como ritmo de trabalho descobre por volta da questão 50 que gastou o orçamento inteiro só na parte de pensar.
O que o número bruto esconde
Duas despesas somem da conta de quem faz o cálculo pela primeira vez.
A primeira é a leitura. Questão com caso concreto, daquelas com três personagens e um contrato, consome muito mais linha do que questão de lei seca. Elas não vêm distribuídas de forma gentil ao longo da prova: podem aparecer quatro seguidas.
A segunda é a folha de respostas. Transferir 80 marcações não é instantâneo, e é o único erro da prova que não tem recuperação: pular uma linha e seguir marcando deslocado destrói um resultado bom. Reserve 15 minutos para transferir e conferir, ou transfira em blocos de dez conforme avança. As duas estratégias funcionam. Deixar tudo para os últimos cinco minutos não.
Feita a reserva de 15 minutos, sobram 285 minutos para as 80 questões, algo perto de 3 minutos e 33 segundos cada.
Os checkpoints do relógio
Escreva estes quatro números no caderno assim que a prova começar. Eles são a linha de flutuação do ritmo bruto:
- 1 hora de prova: 16 questões
- 2 horas: 32 questões
- 3 horas: 48 questões
- 4 horas: 64 questões
Serve para uma coisa só: descobrir cedo que você está atrasado. Se às 2 horas você está na questão 24, são 8 questões de atraso, e ainda dá para corrigir o passo. Descobrir o mesmo atraso na questão 60 não deixa margem para nada além de chute em série.
Na primeira passada o alvo é mais rápido que o bruto: 24 questões por hora, ou seja, 2 minutos e 30 segundos de média.
Primeira passada: o critério de pular
Pular não é desistir. É escolher onde gastar o tempo que existe. O problema é que quase ninguém define o critério antes, e no meio da prova a decisão vira emocional.
Três critérios objetivos, que funcionam sem você precisar avaliar o próprio humor:
- passaram 2 minutos e você não conseguiu eliminar nenhuma alternativa;
- você leu o enunciado duas vezes e não identificou de qual instituto ele está falando;
- a questão exige contagem de prazo ou cálculo que vai precisar de rascunho.
Nos três casos, marque e siga. E marque com dois símbolos diferentes, porque eles vão receber tratamentos diferentes na volta: um círculo para "travei entre duas alternativas", um xis para "não faço ideia".
Chute agora, mesmo nas que vai revisitar. A nota é contagem de acertos, então alternativa em branco não rende nada, e existe a chance de o tempo acabar antes da segunda passada.
Segunda passada: o tempo que sobrou é real
Com 80 questões a 2min30s, a primeira passada consome cerca de 3 horas e 20 minutos. Sobram aproximadamente 1 hora e 40 minutos. Tirando os 15 minutos da folha, ficam 85 minutos.
Se você marcou 20 questões, são 4 minutos e 15 segundos para cada uma. Isso é bastante: é mais do que o dobro do ritmo da primeira passada, e com a vantagem de você já ter lido a prova inteira, o que às vezes entrega a resposta de uma questão dentro de outra.
Ordem da volta: círculos primeiro. São as que já estão a uma decisão de distância. Os xis vêm depois, com o tempo que restar.
E uma regra que evita estrago: não troque uma resposta já marcada sem conseguir dizer, em uma frase, qual foi o erro da primeira escolha. Trocar por sensação piora o placar mais vezes do que melhora.
A conta que quase ninguém faz
Uma questão difícil que consome 12 minutos custa mais de três questões no ritmo bruto. E ela vale exatamente o mesmo que a mais fácil da prova: um ponto.
Não existe questão que valha o dobro. Todo minuto gasto teimando com uma é um minuto tirado de outras três que você resolveria com folga. O aluno que passa raramente é o que resolveu a questão mais difícil do caderno. É o que não deixou nenhuma questão fácil sem resposta.
Treine o relógio, não só a matéria
Estratégia de tempo que nunca foi testada não sobrevive ao dia da prova. Faça pelo menos um simulado completo com as 5 horas cronometradas antes de 6 de setembro, aplicando os checkpoints e os símbolos. O objetivo não é a nota: é descobrir se o seu ritmo real bate com o ritmo planejado.
O plano de reta final para a 1ª fase do 47º mostra em que ponto das noites que restam esse simulado cronometrado entra.
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